🧼 O sabonete que levei para o hospital
🧼 O sabonete que levei para o hospital
Não fui de mãos vazias.
Quando soube que ia visitar a minha tia no hospital, pensei no que podia levar.
Não flores — já não se pode.
Não chocolates — também não era o caso.Então levei um sabonete.
Um dos meus.Era simples, castanho claro, feito com azeite, infusão de camomila e óleo essencial de lavanda.
Cheirava pouco, mas cheirava a limpo.
Não a perfume forte — a cuidado.Ela tinha a pele frágil, com marcas do tempo e da doença. Tudo lhe irritava a pele.
Mas esse sabonete não.Quando o cheirou, sorriu.
Disse: “Isto cheira a casa.”
Ficou ali, pousado na mesa ao lado da cama, até ao dia seguinte.
No fim, usaram-no para lavar-lhe as mãos, e ela disse que parecia estar a tomar banho no campo.Às vezes, um sabonete é mais do que sabão. É memória. É conforto. É presença.
Hoje, quando faço sabonetes com camomila, lavanda ou azeite, lembro-me desse dia.
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