🌿 Sussurros – “Verão na pele”
VERÂO NA PELE
No silêncio das manhãs quentes, a casa respirava devagar.
As cortinas dançavam com preguiça e o cheiro a aloé, fresco e húmido, escapava da pequena barra de sabão pousada na pedra. Ainda não tinha sido usada. Estava ali só — como se esperasse por alguém que chegasse de pés descalços e mãos cansadas.
Ela passou os dedos pelo sabonete. A textura lembrava-lhe as folhas carnudas da planta que a avó cuidava no quintal. Sempre que se aleijavam, era lá que iam — rasgar um pedaço e aplicar o gel transparente com a ponta dos dedos. Havia uma ternura mágica nesse gesto simples.
No banho, o calor dissolvia-se. O cheiro era discreto, limpo.
Não havia limão em excesso, nem promessas exageradas.
Apenas um aroma leve, como quem sussurra:
“Estou aqui. A cuidar. Sem alarido.”
E naquele instante, o verão inteiro pareceu caber nas mãos.

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