🕯️🐇 A Vela-Coelhinho e os Sabões Travessos -
🕯️🐇 A Vela-Coelhinho e os Sabões Travessos
Numa tarde tranquila no ateliê da Aromas da Avó, nasceu uma vela diferente.
Não era redonda como as outras, nem se escondia em frascos elegantes.
Esta tinha o formato de um pequeno coelho — orelhas bem levantadas, patinhas juntas, olhar curioso.
Foi moldada com ternura, em cera cremosa e macia, talvez perfumada de lavanda (ou talvez fosse só o cheiro da sala, quem sabe?).
Mas o que ela tinha mesmo… era alma de exploradora.
Chamava-se Mimi.
E ao contrário das velas que se contentavam com o repouso em prateleiras ou caixas forradas, Mimi queria saltar.
Uma noite, quando a lua tocava suavemente no vidro do ateliê, Mimi escutou uma gargalhada abafada.
Provinha da caixa dos sabões.
Os sabões artesanais — cada um com formas, aromas e personalidades próprias — estavam a pregar partidas uns aos outros.
O de argila fazia bolhas de ar para assustar os de lavanda, o de café dançava como quem tinha energia a mais, e os corações cicatrizantes riam baixinho, porque sabiam que, por dentro, curavam mais do que mostravam por fora.
Mimi, curiosa, deu um saltinho. Depois outro.
Com jeitinho, escorregou da prateleira e caiu mesmo… dentro da caixa dos sabões!
— "Olááá!" — gritou o sabonete de limão, sempre espevitado.
— "Uma vela?! Aqui? No nosso clube secreto?" — perguntou o de cravinho, com um tom desconfiado.
— "É tão fofa!" — disseram os cicatrizantes em coro, aconchegando-a com espuma imaginária.
Mimi ficou por ali o resto da noite, a ouvir histórias, a contar as suas, e a prometer que voltaria.
Afinal, mesmo sendo vela, era de cera como eles — e no fundo, todos ali partilhavam a mesma origem: o cuidado de umas mãos pacientes, o amor em cada detalhe, e o desejo de levar aconchego a quem os recebesse.
Desde esse dia, sempre que uma vela desaparece da prateleira por algumas horas…
É provável que tenha ido visitar os sabões travessos, para mais uma noite de conversas, bolhas e pequenas aventuras.

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