“O Pequeno Frasco de Luz
O Pequeno Frasco de Luz
Numa prateleira esquecida de uma oficina, vivia um frasquinho de vidro. Era pequeno, redondo e com uma tampa de cortiça que se ajustava mal, o que o fazia suspirar de vergonha cada vez que alguém passava por perto.
“Sou só um frasco vazio”,
pensava.
À sua volta, havia potes cheios de cremes perfumados, velas coloridas, e sabonetes de formas perfeitas. O frasquinho sentia-se invisível — até que, numa manhã, uma mulher entrou, acendeu uma vela e começou a preparar algo novo.
Ela encheu o ar de aromas: lavanda, limão, alecrim. Cantava baixinho, enquanto misturava óleos e pétalas, como quem falava com o próprio tempo. E então, olhou para o frasquinho.
“Tu”, disse ela com um sorriso. “És pequeno, mas vais guardar luz.”
Pegou numa colher e, com todo o cuidado do mundo, encheu-o de pequenas centelhas douradas — grãos de sal brilhantes, essência de sol e uma gota de paciência. Fechou-o com um nó de linho e escreveu: “Para dias cinzentos.”
Desde então, o pequeno frasco nunca mais se sentiu vazio. Sabia que o seu papel era lembrar que até as mãos cansadas, e os dias longos, podem guardar dentro de si um bocadinho de luz — só é preciso não apertar demasiado a tampa.

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